segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Num outdoor na estrada, eu li: BUNDAÇO

Como pode? Ao chegar bem mais perto, mistério resolvido: era BLINDAÇO

Ainda acho que foi de propósito.

quinta-feira, 10 de março de 2011

A descredibilidade do enredo de Bruna Surfistinha advém do fato que, na vida real, a original é feia pra caralho.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Minha senhora, se você entrou aqui procurando pelo Neck Lift, tenho uma opção caseira.

Ingredientes:
Fita adesiva
1 kg de açúcar

Modo de preparo:
Use a fita adesiva e cole o saco de açúcar na testa. Deite-se de barriga pra cima com a cabeça não apoiada, e fique levantando a cabeça forçando o pescoço.
Com mais prática, cole outros items domésticos no lugar do saco de açúcar. Quando você for capaz de levantar o carro da família, é bom pensar em parar (e/ou aparecer no Ratinho).

quarta-feira, 31 de março de 2010

Acabo de ver um fantástico comercial do Polishop: é o Neck Lift, um aparelho para mulheres exercitarem o pescoço a fim de evitar rugas. É um produto de alta qualidade e complexidade, composto por um pedaço de plástico e uma mola.

Podia ir direto pro Casseta e Planeta, sem edição nenhuma.

sábado, 27 de março de 2010

Eu não gosto muito do CQC (dizem que é um humor "refinado" ou de alto nível, quando a maioria das piadas são trocadilhos infames), mas essa reportagem de Barueri é demais

http://www.youtube.com/watch?v=SboCFBFpD4s

Essa semana um ex professor da faculdade se matou, pulando do prédio. A reclamação de um colega que mora no mesmo prédio foi que eles tiveram que limpar, porque a polícia tirou só o 'grosso', mas a meleca espatifou longe -me fazendo lembrar da recente fase necrocarol.
Numa outra observação, a saída de bonobo matou o blog. FDP!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ontem, eu estava na sala de espera do médico, e havia um pentelhinho júnior que ia fazer ultrassom, e que precisava ficar com a bexiga cheia. A vez dele já era a próxima, só que ele tava doido pra fazer xixi e ficava importunando a mãe. Aí, ela foi até a atendente, e perguntou se não tinha como agilizar, que o moleque queria ir no banheiro. A atendente foi lá dentro, voltou, e disse que não tinha como, que estavam usando o aparelho, mas que assim que liberasse ela chamava. E sugeriu: "Por que você não leva ele ao banheiro e fala pra ele urinar só um pouquinho?"
Até o moleque de 8 anos fez uma cara de "Quê que essa débil mental tá falando", e depois quietou.

Nota: Bonobo em sua análise dos estilos dos autores do blog até agora só se estrupiou, pois eu só escrevi bobagens do dia a dia e Carol escreveu posts sérios e com temas específicos.

Nota 2: PQP, desvendei mais um mistério. Eu voltei nas postagens antigas, pra ver de novo a definição do bonobo sobre os estilos, e pra ver se alguns posts velhos seguiam a lógica. Aí achei meu post sobre vídeos no youtube, com umas músicas do Tom Jobim. E meu comentário depois, que fiquei vendo vídeos de um negrão chamado Naudo, que foi comparado fisicamente ao Jimi Hendrix, e depois ao Olavo Bilac. Aí, pra ter certeza que eu não estava ficando louco, procurei por Olavo Bilac nas figuras do Google. Não é que apareceu um negrão igualzinho? Do site Moçambique para todos: Cantor Olavo Bilac e Alexandra dizem hoje o 'sim'. Agora tudo faz sentido e posso dormir em paz.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Outro dia ouvi o Pedro Bial na tv, e lembrei de uma antiga picuinha que eu tinha com o Big Brother. Agora já acostumei, e não ligo mais (agora até parece que sou um grande viciado. Pra falar a verdade, assisti semana passada pela primeira vez a um programa do início ao fim). Mas quando ouvi pela primeira vez ele chamando os participantes de brothers, fiquei puto. E mais ainda quando chamou as mulheres de sisters. Deturpação total do sentido do nome do programa.
Falando em Big Brother, eu já tinha visto que o nome da conta do twitter da Tessália era twittess, mas só agora há pouco me dei conta, sem motivo, que é um trocadilho com o nome dela. Pra mim, era só a terminação em inglês, igual goddess ou mistress. E, falando em Tessália, é bom escrever Tessália várias vezes, pois atrai mais visitantes, principalmente se acompanhado de palavras como Tessália boquete, boqueteira, xupeteira, blowjob, oral, bola gato, mamando, pelada, e etc. Quero dizer, o carnaval passou e não tivemos visitantes atrás de putaria. Inaceitável, esse blog está muito politicamente político e correto.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Anteontem eu estava me trocando, liguei a TV e estava no Telecine Premium. O filme: Última Parada 174. Eu assisti ao filme no cinema, mas acabei vendo a última meia hora de novo.
Não é um filme bom...ao contrário, é bem ruinzinho. Na verdade, eu acho que os idealizadores do filme deram um tiro no pé quando decidiram produzi-lo; se já existe um documentário primoroso sobre a história, qualquer obra de ficção teria que se esforçar muito para parecer boa.

"Ônibus 174", o documentário, esse sim é muito bom. Os mais inflamados no que diz respeito a questões ligadas à violência e à segurança pública certamente o detestarão. Isso porque pode haver a impressão de que o filme é uma defesa apaixonada do Sandro, na medida em que a história de sua vida é contada de maneira a explicar, em partes, como ele se transformou no que era. Odeio determinismo (aliás, a contracapa do DVD é péssima, e diz algo como "mostra como Sandro não poderia deixar de ser um criminoso), mas o filme mostra como a exposição à violência é um combustível e tanto para que a vítima também assuma condutas violentas. E não me refiro apenas à Chacina da Candelária, à qual sobreviveu o Sandro, mas a todo seu histórico de exposição às mais diferentes manifestações de violência.

Antes que alguém pense "Mas muitos são expostos à violência e não se tornam violentos!!", eu digo: verdade. Por isso mesmo, rechaço teses deterministas. Mas a vida, e o que fazemos dela, é o resultado de muitas decisões, acasos, pequenos lances de sorte, erros, acertos...e o seu background ajuda a moldar tudo isso, fato. Sobre essa questão da exposição à violência, a organização para a qual trabalho agora está desenvolvendo uma pesquisa bastante interessante em parceria com o Ministério da Justiça. O produto dessa pesquisa, grosso modo, é o chamado "Índice de Vulnerabilidade Juvenil".

O que mais me choca na história do sequestro do ônibus 174 é a frieza com que a morte do Sandro foi tratada. Falando da maneira mais clara possível: Sandro, rendido, foi assassinado dentro do camburão. E as pessoas ficaram meio: OKAY! Afinal, a polícia fez o que qualquer um faria naquele momento...Algumas considerações:
1. Eu não faria
2. A Polícia jamais poderia tê-lo feito

E é por isso que acho o documentário monumental. Ele vem colocar o dedo na ferida (clichê, I know) para dizer: tudo bem, vocês aplaudiram o assassinato do Sandro, mas agora vou contar algumas coisas sobre ele que vão deixar todo mundo de cabelo em pé. E é uma ironia enorme do destino que o Sandro tenha sido personagem, ora coadjuvante, ora principal, de duas das maiores atrocidades cometidas por policiais cariocas (melhor falar em policiais do que em Polícia, como corporação). A Chacina da Candelária, para mim, é um episódio inesquecível. Oito crianças e adolescentes assassinados na calada da noite por policiais. O estrago só não foi pior porque muitos estavam acordados e conseguiram fugir.

Daqui a três anos, serão 20 anos de Candelária. Eu gostaria de poder fazer algo pela memória desse episódio, porque acho que ele não pode cair no esquecimento jamais. Foi muito sério. E ninguém foi punido. Um dos sobreviventes acabou morrendo alguns anos depois, dentro de um camburão*. Outro, vive na Suíça, sob um programa de defesa de testemunhas, já que foi alvo de atentado semelhante pouco tempo depois.

É isso.

*NÃO acho que o que aconteceu com o Sandro foi consequência imediata do que aconteceu na Candelária, acho que ficou bem claro..

ps: Estou considerando muito seriamente fazer uma pós/especialização em segurança pública, mas na cidade de SP só há duas. Vou ver qualé a dessas duas.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Agora há pouco, eu esqueci minha idade, e ao invés de ficar contando, entrei no orkut pra ver. São as maravilhas modernas.
Apaguei todo o imenso resto deste post. Bah, talvez devesse ter salvo no bloco de notas pra algum dia mais 'foda-se'. Mas apagado está. E inventarei embromações quando questionado sobre o suprimido conteúdo, não porque tenha motivo, mas pra causar polêmica mesmo.
Ah, e achei o texto que a Carol fala aí embaixo. Eu ia por só o link, mas grudando o texto todo ganhamos mais palavras pra buscas, além de prevenção no caso da página original sair do ar (é de 2005)

Entrevista do economista queniano James Shikwati à revista Veja de 10-08:

Veja – No mês passado, os sete países mais ricos concordaram em aumentar para 50 bilhões de dólares por ano a ajuda humanitária para a África. É uma boa notícia, não?
Shikwati – É bom para os países ricos, como manobra de relações públicas. Como medida útil para a criação de riqueza, que é o que os países africanos precisam, as doações não ajudam em nada. Se você der dinheiro a um mendigo e voltar a vê-lo na rua no dia seguinte, não se pode dizer que você o tenha ajudado. Ele continua mendigando. É isso que está acontecendo na África. Os países ricos anunciam mais e mais doações a cada ano. Temos de parar com isso. É preciso tirar o mendigo da rua. Temos de descobrir os potenciais desse mendigo, pois isso sim poderá melhorar sua vida. A África necessita é de uma chance para ser capaz de administrar e comercializar as próprias riquezas.

Veja – Por que as doações internacionais são ruins para a África?
Shikwati – Na década de 80, a África Subsaariana recebeu 83 bilhões de dólares em auxílio. No mesmo período, o padrão de vida na região caiu 1,2% ao ano. A doação só tornou os países africanos mais dependentes de ajuda. Precisamos conquistar a capacidade de resolver nossos problemas sozinhos. Minha mensagem é: "Por favor, não dificultem as coisas para nós. Não nos impeçam de pensar por nossa própria conta com essa política de nos afundar em dinheiro fácil".

Veja – De que maneira, exatamente, o dinheiro atrapalha?
Shikwati – O dinheiro da ajuda internacional prejudica o setor produtivo e a livre-iniciativa. No Quênia, parte do dinheiro que veio de doações internacionais foi investida no setor de telecomunicações, controlado pelo Estado de forma ineficiente. Desse modo, fica difícil para o setor privado competir com as empresas estatais. A situação na agricultura é ainda pior. O envio de toneladas e toneladas de alimentos atrapalha os produtores locais. Eles param de produzir o pouco que têm, porque são incapazes de competir com os alimentos distribuídos gratuitamente à população. Assim, criam-se novas famílias de pessoas pobres, que passam a depender da ajuda internacional. É uma espiral sem fim, que também desestimula o comércio de alimentos entre os países africanos. Se falta comida no Quênia, devido a uma seca, em vez de tentarmos fazer negócios com os países vizinhos, como Uganda e Tanzânia, pedimos comida aos países europeus ou aos Estados Unidos. Tudo o que nossos líderes precisam fazer é desenvolver estratégias para garantir que a ajuda financeira continue chegando.

Veja – O que o leva a pensar dessa forma?
Shikwati – Eu venho de uma região rural do Quênia e tive uma infância pobre. Quando entrei na faculdade, passei a me interessar pelos problemas africanos. Comecei a entender que capitalismo não é feito apenas com dinheiro, mas também com recursos humanos. Se você me der bilhões de dólares e eu não estiver preparado para saber o que fazer com isso, será dinheiro jogado fora. É sob essa perspectiva que eu interpreto os problemas da África.

Veja – Não é crueldade deixar sem ajuda os milhões de famintos da África?
Shikwati – Não é. Se você deixar a África lidar com seus problemas sozinha, o continente não vai fracassar ou morrer. Se os governos dos países desenvolvidos continuarem agindo como nossas babás, no entanto, nunca conseguiremos entrar na economia global. O caminho para o nosso desenvolvimento é ter acesso livre a outros mercados e conseguir investimentos externos.

Veja – Como fazer isso?
 Shikwati – Os problemas que impedem a África de criar riqueza são, na verdade, institucionais. Eles limitam a capacidade do continente de expandir o próprio mercado. As alíquotas de importação de alimentos entre os países africanos são, em média, de 33%, comparados aos 12% que os produtos importados da Europa pagam por aqui. Se conseguíssemos abrir a África para os africanos, muitos dos problemas de desnutrição nunca chegariam a um nível crítico. Temos de convencer nossos governantes a abrir os mercados e a estimular a população a produzir. Os 50 bilhões de dólares que os países ricos querem nos dar serão um presente de grego. O único efeito será impedir o desenvolvimento do mercado interno africano. Vamos continuar para sempre dependentes de ajuda internacional.

Veja – O que a África tem para oferecer no mercado global?
Shikwati – Concordo que não há na África um setor produtivo comparável ao de outras regiões. O pouco que existe está sendo destruído pela ajuda internacional. Em 1997, havia 137 000 empregados na indústria têxtil da Nigéria. Em 2003, eram apenas 57 000. Porque os países ricos nos inundam com roupas doadas, que vão abastecer os mercados de rua nas cidades africanas. O que temos a oferecer são riquezas naturais, como ouro, petróleo, diamantes e um povo com um potencial que merece receber investimento.

Veja – O governo dos Estados Unidos anunciou que só fará doações aos países africanos menos corruptos. Essa é uma boa estratégia?
Shikwati – Antes de tudo, é preciso perguntar o que causa a corrupção. Os países ricos dizem que os pobres são corruptos. De onde vem o dinheiro roubado pelos corruptos? No caso da África, esse dinheiro vem dos Estados Unidos e da Europa. Boa parte dos alimentos doados é revendida pelos políticos nos armazéns de suas tribos. Americanos e europeus têm boas intenções, mas a ajuda internacional corrompe os governantes africanos. Concordo que a corrupção é um problema crônico no continente, mas ela não está no gene africano. Os próprios africanos precisam aprender a policiar a roubalheira de seus governantes.

Veja – É possível um país ter ao mesmo tempo desenvolvimento e dirigentes políticos corruptos?
Shikwati – É uma raridade. Quanto maior o fluxo de informações em um país, mais difícil é para as autoridades cometer atos ilícitos. Os países desenvolvidos são aqueles em que há liberdade na divulgação de notícias. Um dos motivos da corrupção na África é a falta de informação. Pergunte a um africano quanto de ajuda financeira seu país recebe por ano. Ele não saberá responder, porque o governo não divulga os dados. Na África, damos poder demais aos nossos governantes, e isso estimula a corrupção.

Veja – Como os regimes ditatoriais são afetados pelas doações internacionais?
Shikwati – Sem os donativos seria mais fácil se livrar dos ditadores. A ajuda financeira vem sempre acompanhada de uma política equivocada. Os governos usam o dinheiro para a guerra e para a compra de votos. Se um ditador tem apoio financeiro garantido, ele dificilmente vai se importar com a situação de seus cidadãos. Jeffrey Sachs (diretor do programa Metas de Desenvolvimento para o Milênio, da ONU) diz que o dinheiro deveria ser entregue não aos políticos, mas à população. O que ele quer? Uma África sem líderes? Não é uma questão de entregar o dinheiro nas mãos de políticos ou nas de cidadãos. A solução é não dar dinheiro algum.

Veja – O pensador americano Francis Fukuyama diz que a causa do subdesenvolvimento é a falência do Estado. O senhor acha que seria mais proveitoso se os países ricos ajudassem os pobres a construir as próprias instituições e leis, em vez de dar ajuda em dinheiro?
Shikwati – De forma alguma. Um país não pode ajudar o outro a construir o seu Estado. Isso se chama interferência. Se for do interesse das empresas dos países ricos lucrar nos países pobres, não devemos impedi-las. Mas não podemos permitir que governos venham fazer negócios em nome dessas companhias. O conhecimento técnico deve ser levado por empresas dispostas a se instalar na África. É preciso também permitir que os cidadãos de países em desenvolvimento circulem livremente pelos países ricos. Nossos jovens precisam viajar e estudar no Primeiro Mundo. Só assim estarão preparados para construir o próprio país.

Veja – Jeffrey Sachs diz que muitos problemas da África têm soluções bem simples, como a distribuição de mosquiteiros e a adoção de programas de educação sexual. O senhor concorda?
 Shikwati – Sachs sabe muito bem o que os países ricos fizeram para combater a malária no tempo em que a doença existia na Europa. Eles não utilizaram mosquiteiros. Então por que prescrever isso para a África? Os mosquitos não esperam a pessoa dormir para picá-la. Deveríamos investir em projetos para erradicar o mosquito, porque ele sim é a causa da malária. Quanto aos programas de educação sexual, não precisamos que Sachs venha nos dizer isso. É por essa razão que critico a tendência da ONU de assumir o papel de babá dos pobres. Se isso acontecer, os africanos se tornarão uns zumbis, uns inúteis que não sabem de nada.

Veja – Por que só a África fica de fora do crescimento global?
Shikwati – A pobreza na África é artificial. Ou seja, é criada pelas guerras e por governantes corruptos. Os líderes lutam por causas nacionalistas, passando por cima das fronteiras, impedindo o desenvolvimento do comércio regional. Dessa forma se multiplica o número de pobres. Note que a ajuda financeira à África está baseada em estatísticas exageradas. Se os dados sobre a aids fossem corretos, todos os quenianos estariam mortos. Recentemente se descobriu que não são 3 milhões de infectados, e sim 1 milhão. A aids tornou-se uma doença política, usada como apelo de marketing para atrair mais dinheiro em doações externas. É triste que isso esteja acontecendo, porque as pessoas estão realmente morrendo.

Veja – No fim da II Guerra, a Alemanha estava em ruínas. Recuperou-se em poucos anos com a ajuda financeira dos Estados Unidos. Um Plano Marshall seria uma solução para a África?
Shikwati – A Alemanha, antes da guerra, não estava no mesmo estágio em que se encontra hoje a África. Era um país industrializado, com instituições consolidadas. Bastou injetar dinheiro e iniciar a reconstrução para a indústria alemã retomar a produção. A África não mudou quase nada desde a independência. É preciso começar do zero, o que complica qualquer plano de desenvolvimento.

Veja – Por que o senhor acha que a Europa está tão empenhada em ajudar os países africanos?
Shikwati – Primeiro, porque os europeus foram os colonizadores e pretendem se manter influentes no continente. Há interesses concretos, como conquistar o apoio africano nas negociações na Organização Mundial do Comércio. A forma encontrada para garantir essa influência é inundar os governos africanos com dinheiro. Há outra razão, talvez mais emocional. Os países ricos querem se sentir bem. É como se dissessem: "Nós somos os mocinhos, estamos ajudando".

Veja – O Brasil busca o apoio da África para sua candidatura a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Isso o coloca na categoria dos países que querem exercer influência na África?
Shikwati – Pelo menos no caso do Brasil isso é feito às claras. O país não esconde suas intenções. Um dos meus argumentos contra as doações é que os representantes dos países ricos não vêm aqui e dizem: "Olha, meu amigo, eu lhe dou esse dinheiro e você me dá seu apoio na ONU". É uma negociação, mas eles disfarçam. Se for do interesse da África aceitar a ajuda brasileira em troca de um voto na ONU, que seja assim. Isso é normal nas relações internacionais. O que não se pode é esconder isso da população.